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Sexta-feira, Novembro 21, 2003
III Semana de Ciências Humanas
Nos dias 17, 18, 19 e 20 de novembro rolou na UENF a III Semana de Ciências Humanas onde ocorreram palestras, apresentações musicais, debates, exposições artísticas e atrazos (ou adiantamento de programação, mas isso é o de menos!). Não pude comparecer todos os dias, mas nos dias que fui posso dizer que estava muito bom!
Na verdade, eu queria parabenizar a todos os alunos, mas houve um dia que me marcou mais, que foi o último dia, além da palestra onde a Thaís foi a mediadora que infelizmente eu cheguei no final e estava muito animada, eu amei o Fórum sobre o Dia Nacional da Consciência Negra, que o mediador foi o Ébano (que mesmo não tendo um contato com ele, sinto grande sinpatia) e rolou das 11h até as 13:40h e foi muito bom! Na mesa pôs-se em discussão a cultura negra, a questão da religião evangélica e a omissão dos negros quando se convertem a ela, a questão da cultura negra norte-americana e a africana, a questão das cotas na UERJ e UENF, o pai do Ébano contando suas experiências como militante, enfim, foi o máximo e eu acho uma pena que a questão seja disfarçada, porque existe sim o preconceito racial no Brasil, não deveria existir em lugar nenhum, muito menos aqui, mas existe e junto deste preconceito, vem o de classes.
Eu, Tahiana, penso que as cotas devem existir sim, mas para quem vem das escolas públicas e não para as pessoas negras. Quem vem de escola pública realmente têm uma base muito pior do que quem estuda na particular, mas quem é negro? Quem é negro por um acaso tem menos capacidade? Claro que não! Por isso, pra mim, a cota passa a ser discriminatória, logo preconceituosa. Essa discussão é muito ampla, daí a gente pula!
Foi-se discutido também a questão dos partidos de esquerda colocar a questão do negro como quinto ou sexto plano, e a questão da conquista das mulheres, onde mostraram que na verdade a mulher branca avançou muito mais nos últimos tempos do que a mulher negra, é um dado que até agora não ví em lugar nenhum, não é discutido nem recebe a atenção que merece.
Outro assunto que eu particularmente tomo como importante é que o movimento negro tem buscado sua identidade nos movimentos norte-americanos e não nos africanos. Não é um pouco estranho? Nos EUA a questão do racismo chegou a pontos extremos onde existem bairros só de negros e só de brancos, além disso penso que há uma diferença essencial entre o preconceito norte-americano e o brasileiro: lá é muito racial, aqui é mais classial do que racial (não estou dizendo que não existe o preconceito racial, estou afirmando que é muito mais de classe social, onde interessa quanto você ganha). Além disso, por que não buscar as raízes na África? E além, por que nos pegamos em coisas desse tipo, raça, cor dos olhos, tipo de cabelos, condição social, opção sexual, enfim, por que temos essa necessidade de todo mundo igualsinho, excluindo os diferentes? E, até que ponto os diferentes unidos, não são a maioria, o que a partir de um ponto torna os diferentes o normal e o normal os diferentes e excluidos? E por que tem de haver excluídos?
Tenho que parar por aqui, se não minha cabeça explode!
TAHIANA FERNANDES 6:48 PM
Crica aqüi ceu mauné!:
Seios a mostra, contos falando de desejo e masturbação, sexo como só ele pode ser!
O assunto sexo é tão banalisado que chego a achar estranho que as pessoas ainda o considerem como tabú! Na Tv, no rádio, no nosso cotidiano, enfim, todos falam de sexo e de bundas e de seios, mas ainda existe um (preconceito?) empedimento para tratar desse assunto com maturidade e responsabilidade.
Ontem na UENF estava ocorrendo o último dia da III Semana de Ciências Humanas e era também o dia Nacional da Consciência Negra, daí houve a apresentação de dança do mesmo pessoal da Mana Chica do Caboio, mas como o nome do grupo não está na programação não posso informá-los, enfim, durante a apresentação do "balé afro" as mulheres negras dançavam com os seios à mostra, o que causou impacto, um rapaz chegou a comentar comigo "Que coragem!", mas me diz aqui, não tem coisa pior na TV não? E daí também? É uma dança! Uma forma de expressão corporal! Será possível?! Não lhes soa mal aos ouvidos "67, patinete, de ladinho a gente gosta" (não sei se o funk é assim, mas só me lembro desse pedaço, não é o meu estilo favorito de música, se é que pode-se chamar assim)?
A mídia informa mesmo sobre o sexo? Tudo bem, faz comercial de camisinha e da importãncia desta para prevenção de doenças sexualmente transmissiveis, porém não informa, joga a informação, há uma grande diferença. Daí depois se noticia que há um aumento de adolescentes grávidas e de doenças cada vez mais comuns....
Falta uma formação sexual, de como o sexo funciona e de como é comum! Caramba, todos nós viemos de uma relação sexual! De como o nosso organismo "pensa" em termos de hormônios e de como o sexo é uma forma bonita de se demonstrar sentimentos, e não um pecado e agressão a Deus! Não vou entrar no aspecto religioso, porque considero que nesta parte as igrejas em geral transformam um preconceito social em regras divinas, e isso é um assunto muito denso e delicado para ser discutido por aqui.
Às vezes me pego discursando sobre alguns assuntos que... enfim, isso é um desabafo, porque nos últimos dias vários fatos têm feito com que eu me revoltasse!
TAHIANA FERNANDES 6:48 PM
Crica aqüi ceu mauné!:
Terça-feira, Novembro 18, 2003
Morte??? !!!!
Alguém me mandou um e-mail falando sobre a morte, há tempos que não penso nisso... essa pessoa me disse que espera a morte... será que ele sabe o quanto essa frase é forte? não, não tenho medo da morte, encaro como uma transformação ou libertação. mas adimito que não aceito muito bem quando alguém morre, sonhei que uma pessoa havia morrido, não gosto quando tenho esse tipo de sonho... prefiriria morrer antes dos meus pais, amigos e namorados, tenho dificuldade em deixar que a vida se encarregue de decidir as pessoas que vão ou não estar presentes na minha vida, tenho dificuldade com desprendimento, com cisões...
se eu pudesse escolher, morreria e deixaria todos aqui, e os visitaria de vez em quando para fazer um cafuné quando essas pessoas estivessem dormindo. seria mais fácil do que se as pessoas morressem...
não sinto vontade de morrer, gosto da vida, ela é até muito boa comigo, mas a morte é algo fascinante, desconhecido, intrigante, principalmente para mim que sou curiosa aos extremos!
quando minha avó morreu eu achei tudo muito estranho... foi a primeira vez que ví alguém morto, o corpo parecia diferente, mas era como se ela estivesse por lá (no velório), ela entendeu que eu não queria vê-la assim, que eu só queria o melhor para ela, me sentí muito mal, fiquei de cama durante uns 15 dias, tentando entender a morte. não entendi! e resolví que preferiria morrer a ver minha família morrer. daí aconteceu um acidente e eu percebí que eu queria morrer antes dos meus amigos também...
será que a morte vai ser sempre um "mistério" para nós (vivos)? será que se a entendermos, nós a aceitaríamos? penso que não...
acho que existe vida em outros planetas, vidas diferentes das nossas, algumas mais evoluídas e outras não, mas aqui, na Terra, sinto como se o meu corpo fosse uma prisão quase confortável, mas uma prisão. penso que aqui é o lugar para passar e se aprender muito e só então sumir, atingir a tal da elevação espiritual, cada um chama de um jeito, mas no final é quase a mesma coisa. pensava em atingir a elevação através do amor entre duas pessoas, achei que assim seria muito mais mais, entende? mas to caindo na real e já percebí o quanto isso é dificil! acontece de milhão em milhão de pessoas, e eu não tô com essa bola toda! além disso, pode ser uma lenda, uma teoria egipcia esquecida e imaginativa apenas, como saber?!
estou muito interessada em Machu Pichu... é a minha nova fase, junto com a fase Clarice. eu e minhas fases... minhas mudanças contínua me incomodam, gostaria de ser um pouquinho mais estável, mas... enquanto não consigo esse equilibrio, vou apenas maneirando nas minhas mudanças comportamentais para não aocntecer o que está aocntecendo!
TAHIANA FERNANDES 5:56 PM
Crica aqüi ceu mauné!:
Dica de Filme:
Fale com Ela.
O filme é uma mistura de comédia com drama. Envolve situações bizarras e confusas, cheia de amores escondidos mostrando até onde o desejo do homem chega. Mostra como o amor ou a adimiração pode virar uma obcessão. Tem uma fotografia muito bonita e surpreende no roteiro, mas afinal, é do Almodova!
TAHIANA FERNANDES 5:55 PM
Crica aqüi ceu mauné!:
Casca
Na minha opinião todas as pessoas se protegem com uma casca, ou armadura ou uma cara feliz. Enfim, tenho percebido isso há algum tempo, mas só agora resolví por no papel (ou na tela!). Estamos sempre mostrando o que somos, mas apenas uma parcela pequena do que somos, como se estivessemos escondendo de alguém, ou de todos. Essa casca é perigosa pois acabamos nos interessando ou discriminando pessoas por causa de nossos Pré-Conceitos. Olhamos como a pessoa se veste ou trocamos algumas palavras e a julgamos, e isso é tão horrível e tão cotidiano... tenho me surpreendido com o quanto posso aprender com as pessoas que menos imaginava. Estou parando de achar que as soluções vão estar nos livros, as vezes as soluções não são teóricas como eu pensava...
Enfim, tenho me surpreendido quando permito ser surpreendida (nossa! que merda de frase!). Quando estou disposta a ouvir, percebo que as pessoas realmente têm algo a me ensinar, conclusão: devo ficar mais tempo de boca fechada! Por isso, quero comunicar meus amigos, parentes e visitantes que o fato de eu estar quieta, não quer dizer que não esteja bem, quer dizer que quero ficar quietinha, simples assim, sem muitas deduções e complicações e preocupações.
TAHIANA FERNANDES 5:55 PM
Crica aqüi ceu mauné!:
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Eu preciso muito de sua atenção!
É patológico tá!
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